Matando pelo bem do Brasil
Escrito por Mário Maestri
01-Out-2007
Em “Tropa de Elite”, o singular não é o filme em si, mas o estrondoso sucesso antes mesmo do seu lançamento. Como película, a obra de José Padilha repete em geral as receitas inovadoras de “Cidade de Deus”, sem o brilho do célebre longa-metragem de Fernando Meirelles: a criminalidade urbana como tema; o narrador como condutor da trama; os quadros dinâmicos em uma sucessão de clips. Uma espécie de plágio doce devido parcialmente ao fato de Bráulio Mantovani assinar os roteiros das duas películas.Na essência, os filmes são opostos. Em “Cidade de Deus”, através da história da comunidade homônima, Fernando Meirelles relata a construção social do criminoso, para propor superação individual pela arte e pelo trabalho (fotografia) do destino do jovem favelado ao crime. Mantendo-se nos marcos da leitura da favela pela cidade, a câmara de Meirelles procura dar a voz aos protagonistas. No fundo, é leitura social otimista, ainda que ingênua. Não há meias cores em “Tropa de Elite”, apesar do sinistro claro-escuro em que o filme se move. Os protagonistas e antagonistas são feitos de uma só peça: corruptos ou honestos às vísceras. Os únicos heróis são os policiais do BOPE, a sinistra tropa de elite carioca que, no filme, tortura, mata e morre em desesperada e incompreendida última defesa da civilização contra a barbárie, da cidade contra o morro. Ao iniciar a película, o narrador traça o quadro geral maniqueísta: “Se o Rio dependesse só da polícia tradicional, os traficantes já teriam tomado a cidade [...]”. “Tropa de Elite” não cria muito. Limita-se a encenar sentimentos que ultrapassam os limites das classes altas e médias endinheiradas: a certeza de que a única solução para o crime, corporificação da maldade absoluta, é a mão-de-ferro da repressão sem piedade. Proposta com a qual a mídia martela uma imensa parcela da população que materializa, no sentimento de insegurança, o stress permanente produzido pelas incertezas e insatisfações da vida quotidiana. O que não significa que o filme não possua soluções imaginosas, como a inversão da ordem normal dos fatores sociais, ao apresentar a execução do horrível traficante “Baiano”, branco, pelo honestíssimo Matias, policial e acadêmico de Direito, negro. Ou a melodramática superposição de papéis de Nascimento, o capitão do BOPE, organizador dos assassinatos e homem sensível à espera do primeiro filho, símbolo da inocência do mundo que defende, à custa de permanente descida ao inferno. O deputado quer apenas saber o “quanto” vai ganhar, ao se associar a policiais que chafurdam no crime. Os estudantes discutem as causas e as soluções da marginalização social mas, no frigir dos ovos, são drogados hipócritas, traficantes e queridinhos de criminosos. Nesse mundo em degringolada, o único remédio forte é a morte e a tortura ministradas profissionalmente por policiais incorruptíveis, que entregam a vida se necessário no cumprimento de suas missões. Tudo pelo bem do Brasil.José Padilha apenas dramatiza a apologia das execuções de populares pelas forças policiais, sob as ordens e cumplicidade das autoridades e os aplausos dos meios de comunicação. “Carandiru”, de Hector Babenco, denunciou sem maior sucesso o mega-massacre da polícia militar paulista. Invertendo o sinal, “Tropa de Elite” glamouriza mortandades como as do Complexo do Alemão, em junho deste ano. Através da escusa da encenação do real, “Tropa de Elite” radicaliza as propostas de “Tolerância Zero” com a criminalidade, apresentadas incessantemente pela cinematografia estadunidenses de segunda linha. Sem pruridos, extrema insinuações de séries como “Lei & Ordem” sobre a legitimidade da execução e da tortura na obtenção de resultados louváveis: a eliminação do terrorista, a morte do traficante, a prisão do pedófilo.Em fins dos anos 1980, o sucesso da subliteratura de tema esotérico de Paulo Coelho registrou a crise geral da confiança nas soluções sociais racionalistas, devido à vitória mundial da maré neoliberal. No mundo fantástico do segundo governo Lula da Silva, enquanto cresce a dilaceração dos laços sociais e nacionais, os ricos tornam-se mais ricos e as classes médias viajam ao exterior despreocupadas com a inevitável ressaca do dia seguinte do real-maravilha. O sucesso de “Tropa de Elite” registra o conservadorismo crescente da população nacional, na esteira da fragilização do mundo do trabalho e mergulho geral das lideranças populares tradicionais na corrupção. É enorme vitória dos poderosos que policiais fardados de preto encarnem a solução da insegurança nacional, distribuindo a morte entre os pobres, sob a bandeira da caveira sorridente. “Tropa de elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você!”. E, se não te cuidares, meu chapa, vai te pegar, mesmo!
Mário Maestri é professor do curso de História e do PPGH da UPF.
E-mail:maestri@via-rs.net
Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
Para comentar este artigo, clique aqui.
1 DE OUTUBRO DE 2007 - 21h41
O herói de 'Tropa de Elite' e o Che Guevara da 'Veja
Por Alon Feuerwerker (Blog do Alon)
Tropa de Elite é um filme espetacular. É um Vidas Secas do Brasil urbano. Como na obra de Graciliano Ramos, transportada para o cinema por Nelson Pereira dos Santos, a vida dos personagens não tem progressão real. São, literalmente, vidas secas, só que desta vez no asfalto e no morro do Rio de Janeiro da virada do século.
O capitão (Wagner Moura) e Che
Os personagens de Tropa de Elite são somente peças de um mecanismo, que sobrevive para garantir o conforto e o vício da classe dominante. No Brasil rural de Vidas Secas, ela se confundia com uma oligarquia insensível e desumana. No filme de José Padilha, assume os ares de uma burguesia e uma classe média drogadas e filantrópicas.
Trata-se de um ecossistema. Há os playboys que consomem a droga. Há os traficantes que garantem o abastecimento da droga para os playboys. E há o Bope (tropa de elite da Polícia Militar), que entra em ação quando transborda a violência gerada por essa parceria, quando os playboys são vítimas da brutalidade do mecanismo. Ou quando a sociedade "da paz" sente-se ameaçada pelo monstro que cultiva ao lado de casa.
No meio dessa fauna, ninguém está nem aí para a pergunta que faz num dos primeiros episódios do filme o capitão Nascimento, do Bope (na foto de cima, reproduzida do cartaz promocional do filme, o personagem em ação na pele de Wagner Moura; se o filme fosse americano, Wagner seria fortíssimo candidato ao Oscar de melhor ator):
"Eu sempre me pergunto: quantas crianças a gente tem que perder para o tráfico só para um playboy rolar um baseado?"
A classe dominante já achou uma resposta a essa indagação fundamental. Propõe legalizar o câncer da droga. Legalizar o hábito que destrói nossos jovens. Eu penso ao contrário. Que além de radicalizar no combate ao consumo da droga deveríamos ter uma estratégia para reduzir radicalmente a apologia do consumo de álcool. Do jeitinho que vem sendo feito com o fumo. Meu ponto de vista está no post "Os financiadores do terror", de janeiro:
O crime está presente em todo o território nacional, mas é mais agudo e mais violento nas regiões metropolitanas. Na sua configuração atual, o crime está indexado ao tráfico de drogas. E só se traficam drogas onde existe mercado. Então, para combater o crime na sua versão mais moderna (a criminalidade terrorista), o melhor a fazer é achar um jeito de travar a guerra total ao tráfico de drogas.
Aí aparece um problema: não há como combater radicalmente o tráfico de drogas sem atacar o mercado de consumo da droga. O terreno para que prosperem o crime e o terrorismo no Brasil vem sendo adubado pela tolerância ao consumo das drogas. Você, que além de desfilar de branco pedindo paz também gosta de consumir sua droga na intimidade, é o principal financiador da barbárie que ameaça os seus entes queridos.
Tropa de Elite mata (literalmente) a pau quando expõe, sem limites politicamente corretos, a anatomia e a fisiologia de uma sociedade cínica e doente, que se recusa a encarar a própria doença. Estão ali, desenhadas, as organizações não-governamentais que articulam a classe dominante e o crime, por meio da droga e da filantropia - esta patrocinada pelo sistema político-empresarial. Está ali, retratada, uma polícia corrupta.
Está ali, maravilhosamente exposto, como uma caricatura sem sê-la, o arcabouço supostamente intelectual que serve de alucinógeno "literário" a quem deseja viver mergulhado nessa podridão sem carregar culpa. E ainda por cima vomitando Foucault. Está tudo ali, em fatos. Irrespondível. Fatos são irrespondíveis.
Bem, eu já estava disposto a escrever sobre Tropa de Elite quando li a reportagem de capa da revista Veja sobre Ernesto "Che" Guevara. Além da habitual catilinária anticomunista, a Veja desceu a lenha no Che principalmente porque o argentino 1) teria dado sinais de fraqueza diante da morte iminente, 2) teria sido um mau ministro da Indústria e 3) teria sido um executor frio e sanguinário dos adversários políticos da sua revolução.
A violência liga os dois assuntos, Tropa de Elite e o texto sobre o Che. Comento rapidamente os pontos de crítica da Veja. No ponto 1, não enxergo muita valentia em tripudiar sobre alguém que supostamente deu sinais de fraqueza diante da morte inevitável. Do mesmo modo que não vejo coragem em fazer ironia com o eventual (mau) comportamento de quem esteve submetido a tortura.
Não cabe a nós, mortais, julgar o limite do sofrimento suportado por nossos semelhantes. Tem algo de anti-humana a arrogância de quem se coloca de um ponto de observação "superior" para fazer o juízo do comportamento de alguém prestes a ser privado da vida. Ou para fazer o juízo de alguém submetido à humilhação de implorar a seu algoz que interrompa seu sofrimento.
Sobre o ponto 2, eu consideraria mais as críticas à suposta incompetência do Che ministro se fosse hábito dos críticos de Che julgar unicamente pela competência. No Brasil, por exemplo, os responsáveis por todos os desastres econômicos dos anos 60 para cá são tratados nos círculos dominantes como sábios, são ouvidos e respeitados como sumidades. Escrevem artigos de destaque em jornais e revistas e são figuras permanentes nas entrevistas de rádio e televisão.
Enquanto isso, o governo atual, que conduziu o país à melhor situação econômica da nossa História, é tratado como um bando de incompetentes e trapalhões - na versão benigna da crítica. Por isso é que eu vejo o ponto 2 com reservas.
Quanto ao ponto 3, diferentemente do que pretende a reportagem da Veja, Ernesto "Che" Guevara não virou mito porque a propaganda o despiu dos seus prováveis muitos defeitos. O Che virou mito porque sobreviveu e sobreviverá como símbolo da luta por mais justiça. Infelizmente, a direita sul-americana não tem um símbolo para contrapor ao Che.
E dizer, como diz a revista, que Che foi um executor frio e sanguinário, nem faz cosquinha na imagem do argentino. O fato é que as pessoas talvez estejam dispostas a agüentar executores sanguinários e frios, se a ação deles for para "o bem". Não é isso, por sinal, que nos vendem todos os dias na política? Dia após dia justifica-se o assassinato "branco" de políticos em nome do "bem". Ou da "ética".
Por essas e outras é que o capitão Nascimento é o novo herói brasileiro. Quando você vir o filme, você entenderá. Eu não vi, acredite em mim, mas quem viu me contou tudinho.
O herói de 'Tropa de Elite' e o Che Guevara da 'Veja
Por Alon Feuerwerker (Blog do Alon)
Tropa de Elite é um filme espetacular. É um Vidas Secas do Brasil urbano. Como na obra de Graciliano Ramos, transportada para o cinema por Nelson Pereira dos Santos, a vida dos personagens não tem progressão real. São, literalmente, vidas secas, só que desta vez no asfalto e no morro do Rio de Janeiro da virada do século.
O capitão (Wagner Moura) e Che
Os personagens de Tropa de Elite são somente peças de um mecanismo, que sobrevive para garantir o conforto e o vício da classe dominante. No Brasil rural de Vidas Secas, ela se confundia com uma oligarquia insensível e desumana. No filme de José Padilha, assume os ares de uma burguesia e uma classe média drogadas e filantrópicas.
Trata-se de um ecossistema. Há os playboys que consomem a droga. Há os traficantes que garantem o abastecimento da droga para os playboys. E há o Bope (tropa de elite da Polícia Militar), que entra em ação quando transborda a violência gerada por essa parceria, quando os playboys são vítimas da brutalidade do mecanismo. Ou quando a sociedade "da paz" sente-se ameaçada pelo monstro que cultiva ao lado de casa.
No meio dessa fauna, ninguém está nem aí para a pergunta que faz num dos primeiros episódios do filme o capitão Nascimento, do Bope (na foto de cima, reproduzida do cartaz promocional do filme, o personagem em ação na pele de Wagner Moura; se o filme fosse americano, Wagner seria fortíssimo candidato ao Oscar de melhor ator):
"Eu sempre me pergunto: quantas crianças a gente tem que perder para o tráfico só para um playboy rolar um baseado?"
A classe dominante já achou uma resposta a essa indagação fundamental. Propõe legalizar o câncer da droga. Legalizar o hábito que destrói nossos jovens. Eu penso ao contrário. Que além de radicalizar no combate ao consumo da droga deveríamos ter uma estratégia para reduzir radicalmente a apologia do consumo de álcool. Do jeitinho que vem sendo feito com o fumo. Meu ponto de vista está no post "Os financiadores do terror", de janeiro:
O crime está presente em todo o território nacional, mas é mais agudo e mais violento nas regiões metropolitanas. Na sua configuração atual, o crime está indexado ao tráfico de drogas. E só se traficam drogas onde existe mercado. Então, para combater o crime na sua versão mais moderna (a criminalidade terrorista), o melhor a fazer é achar um jeito de travar a guerra total ao tráfico de drogas.
Aí aparece um problema: não há como combater radicalmente o tráfico de drogas sem atacar o mercado de consumo da droga. O terreno para que prosperem o crime e o terrorismo no Brasil vem sendo adubado pela tolerância ao consumo das drogas. Você, que além de desfilar de branco pedindo paz também gosta de consumir sua droga na intimidade, é o principal financiador da barbárie que ameaça os seus entes queridos.
Tropa de Elite mata (literalmente) a pau quando expõe, sem limites politicamente corretos, a anatomia e a fisiologia de uma sociedade cínica e doente, que se recusa a encarar a própria doença. Estão ali, desenhadas, as organizações não-governamentais que articulam a classe dominante e o crime, por meio da droga e da filantropia - esta patrocinada pelo sistema político-empresarial. Está ali, retratada, uma polícia corrupta.
Está ali, maravilhosamente exposto, como uma caricatura sem sê-la, o arcabouço supostamente intelectual que serve de alucinógeno "literário" a quem deseja viver mergulhado nessa podridão sem carregar culpa. E ainda por cima vomitando Foucault. Está tudo ali, em fatos. Irrespondível. Fatos são irrespondíveis.
Bem, eu já estava disposto a escrever sobre Tropa de Elite quando li a reportagem de capa da revista Veja sobre Ernesto "Che" Guevara. Além da habitual catilinária anticomunista, a Veja desceu a lenha no Che principalmente porque o argentino 1) teria dado sinais de fraqueza diante da morte iminente, 2) teria sido um mau ministro da Indústria e 3) teria sido um executor frio e sanguinário dos adversários políticos da sua revolução.
A violência liga os dois assuntos, Tropa de Elite e o texto sobre o Che. Comento rapidamente os pontos de crítica da Veja. No ponto 1, não enxergo muita valentia em tripudiar sobre alguém que supostamente deu sinais de fraqueza diante da morte inevitável. Do mesmo modo que não vejo coragem em fazer ironia com o eventual (mau) comportamento de quem esteve submetido a tortura.
Não cabe a nós, mortais, julgar o limite do sofrimento suportado por nossos semelhantes. Tem algo de anti-humana a arrogância de quem se coloca de um ponto de observação "superior" para fazer o juízo do comportamento de alguém prestes a ser privado da vida. Ou para fazer o juízo de alguém submetido à humilhação de implorar a seu algoz que interrompa seu sofrimento.
Sobre o ponto 2, eu consideraria mais as críticas à suposta incompetência do Che ministro se fosse hábito dos críticos de Che julgar unicamente pela competência. No Brasil, por exemplo, os responsáveis por todos os desastres econômicos dos anos 60 para cá são tratados nos círculos dominantes como sábios, são ouvidos e respeitados como sumidades. Escrevem artigos de destaque em jornais e revistas e são figuras permanentes nas entrevistas de rádio e televisão.
Enquanto isso, o governo atual, que conduziu o país à melhor situação econômica da nossa História, é tratado como um bando de incompetentes e trapalhões - na versão benigna da crítica. Por isso é que eu vejo o ponto 2 com reservas.
Quanto ao ponto 3, diferentemente do que pretende a reportagem da Veja, Ernesto "Che" Guevara não virou mito porque a propaganda o despiu dos seus prováveis muitos defeitos. O Che virou mito porque sobreviveu e sobreviverá como símbolo da luta por mais justiça. Infelizmente, a direita sul-americana não tem um símbolo para contrapor ao Che.
E dizer, como diz a revista, que Che foi um executor frio e sanguinário, nem faz cosquinha na imagem do argentino. O fato é que as pessoas talvez estejam dispostas a agüentar executores sanguinários e frios, se a ação deles for para "o bem". Não é isso, por sinal, que nos vendem todos os dias na política? Dia após dia justifica-se o assassinato "branco" de políticos em nome do "bem". Ou da "ética".
Por essas e outras é que o capitão Nascimento é o novo herói brasileiro. Quando você vir o filme, você entenderá. Eu não vi, acredite em mim, mas quem viu me contou tudinho.
1 DE OUTUBRO DE 2007 - 18h40
Em defesa de Che, UJS queima revista ''Veja'' em frente à Abril
Para protestar contra a capa da revista Veja desta semana, intitulada “Che – A farsa do herói” a União da Juventude Socialista (UJS) fará um ato nesta terça-feira (2), ás 13 horas, em frente à Editora Abril, no bairro Pinheiros da capital paulista. Cerca de 50 manifestantes prometem queimar dezenas de revistas e promover um boicote à edição que retrata o ícone revolucionário como um “porco” que “morreu e foi santificado antes que seu narcisismo suicida e os crimes que decorreram dele pudessem ser julgados com distanciamento”.
Matéria usa Che para atacar Cuba e o socialismo
A matéria “Che, Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa”, assinada pelos jornalistas Diogo Schelp e Duda Teixeira, aproveita a lembrança dos 40 anos do assassinato de Ernesto Guevara Lynch de la Serna – no dia 8 de outubro de 1967 na Bolívia – para divulgar um verdadeiro panfleto contra Cuba, Fidel Castro e o socialismo.
“Vamos protestar contra a revista Veja que mais uma vez publica uma matéria caluniosa e pejorativa contra um dos lutadores de que a juventude mais se orgulha no mundo. Vamos fazer um contra-ponto a essa ação reacionária que deturpa a história de Che nos 40 anos de sua morte”, explicou ao Vermelho o estudante e professor de história Rodrigo Moreira Campos, 24, também presidente da UJS da cidade de São Paulo.
O protesto ainda exigirá a abertura da CPI Abril-Telefônica/TVA no Congresso Nacional, além de pautar a democratização dos meios de comunicação.
“A Abril não tem moral nenhuma para falar de figuras como Che, já que agora a editora está envolvida em denúncias que atentam contra a nossa Constituição Federal. Por isso, também vamos protestar pela abertura imediata da CPI Abril-Telefônica/TVA no Congresso e para que no dia 5 de outubro, data que vence o prazo de várias concessões de TV e rádio no país, se faça um debate aberto sobre a mídia, seu papel e a necessidade de maior participação social na definição de concessões”, afirmou Rodrigo.
O líder socialista também disse estar empenhado nesta segunda em convidar as organizações que defendem a democratização dos meios de comunicação para o ato.
“Nossa manifestação é aberta a todos e todas que repudiam esta matéria antidemocrática da Veja e desejam que no país ocorra mais pluralidade de opiniões em todos os grandes veículos de comunicação”, agrega Rodrigo.
Manipulação
Para o jornalista e escritor Celso Lungaretti a matéria da revista passou longe de ser jornalística.
“Não houve, em momento algum, a intenção de se fazer justiça ao homem e dimensionar o mito. A avaliação negativa precedeu e orientou a garimpagem dos elementos comprobatórios. Tratou-se apenas de coletar, em todo o planeta, quaisquer informações, boatos, deturpações, afirmações invejosas, difamações, calúnias e frases soltas que pudessem ser utilizadas na montagem de uma furibunda catalinária contra o personagem histórico Ernesto Guevara, com o propósito assumido de se demonstrar que o mito Che Guevara seria uma farsa”, disse Lungaretti em seu blog nesta segunda.
O escritor também comparou a posição histórica da revista à adotada pelo fascismo e pela ditadura.
“Típica também – e não por acaso – da retórica das viúvas da ditadura são as afirmações da Veja. [Para a revista] a onda revolucionária que se avolumou na América Latina durante as décadas de 1960 e 1970 teria como causa ‘as concepções de revolução pela revolução’ de Guevara e não a miséria, a degradação e o despotismo a que eram submetidos seus povos. E a responsabilidade pelos banhos de sangue com que as várias ditaduras sufocaram anseios de liberdade e justiça social caberia às vítimas, não aos carrascos”, escreveu o professor.
“É o que a propaganda enganosa dos sites fascistas martela dia e noite, tentando desmentir o veredicto definitivo da História sobre os Médicis e Pinochets que protagonizaram ‘alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas’”, concluíu.
Para Celso Lungaretti a matéria-de-capa não passa de “mais um exercício do jus esperneandi a que se entregam os que têm esqueletos no armário e os que anseiam por uma recaída totalitária, com os eventos desastrosos e os banhos de sangue correspondentes”.
Mito e realidade
Entre outros problemas apontados pela UJS na matéria está o fato de o texto tentar aliar a figura de Che Guevara com a de um jovem sanguinário.
“A matéria tenta emplacar a idéia de que Che era sedento por sangue, que só pensava em matar e menosprezava o ideal socialista em nome da morte. Mas quem conhece a história sabe que Guevara era antes de tudo um humanista, disposto a dar a própria vida em nome de seus ideais e por um mundo mais justo para todos. Ele sempre lutou pela vida e pelo socialismo”, contesta Rodrigo.
Já para Gustavo Petta, ex-presidente da UNE, o alvo da publicação é desacreditar Che.
“Esse é o alvo da publicação. Desacreditar Che é mais um trabalho ideológico de por fim a luta pelo socialismo. Mas, enganam-se Roberto Civita e sua laia. Não é qualquer matéria dessa natureza que descolará Ernesto Che Guevara dos mais altos ideais de justiça e igualdade, e mesmo se Che esmorecer, a luta pelo socialismo, do qual ele é um símbolo, persistirá. Enquanto houver a brutal desigualdade entre os homens, haverá os que lutam para mudar tal situação”, concluiu Petta nesta segunda em seu blog.
Ato em defesa de Che e contra a revista Veja
Serão queimadas dezenas de revistas em protestoData : terça-feira (2/10)Local: Concentração às 11h na sede nacional da UJS (Rua 13 de maio, 1016 – Bela Vista)Ato às 13h em frente a Editora Abril (Av. das Nações Unidas, 7221 – Pinheiros / próximo a estação Pinheiros de trem e do Shopping Eldorado).
Da redação, com agências
Em defesa de Che, UJS queima revista ''Veja'' em frente à Abril
Para protestar contra a capa da revista Veja desta semana, intitulada “Che – A farsa do herói” a União da Juventude Socialista (UJS) fará um ato nesta terça-feira (2), ás 13 horas, em frente à Editora Abril, no bairro Pinheiros da capital paulista. Cerca de 50 manifestantes prometem queimar dezenas de revistas e promover um boicote à edição que retrata o ícone revolucionário como um “porco” que “morreu e foi santificado antes que seu narcisismo suicida e os crimes que decorreram dele pudessem ser julgados com distanciamento”.
Matéria usa Che para atacar Cuba e o socialismo
A matéria “Che, Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa”, assinada pelos jornalistas Diogo Schelp e Duda Teixeira, aproveita a lembrança dos 40 anos do assassinato de Ernesto Guevara Lynch de la Serna – no dia 8 de outubro de 1967 na Bolívia – para divulgar um verdadeiro panfleto contra Cuba, Fidel Castro e o socialismo.
“Vamos protestar contra a revista Veja que mais uma vez publica uma matéria caluniosa e pejorativa contra um dos lutadores de que a juventude mais se orgulha no mundo. Vamos fazer um contra-ponto a essa ação reacionária que deturpa a história de Che nos 40 anos de sua morte”, explicou ao Vermelho o estudante e professor de história Rodrigo Moreira Campos, 24, também presidente da UJS da cidade de São Paulo.
O protesto ainda exigirá a abertura da CPI Abril-Telefônica/TVA no Congresso Nacional, além de pautar a democratização dos meios de comunicação.
“A Abril não tem moral nenhuma para falar de figuras como Che, já que agora a editora está envolvida em denúncias que atentam contra a nossa Constituição Federal. Por isso, também vamos protestar pela abertura imediata da CPI Abril-Telefônica/TVA no Congresso e para que no dia 5 de outubro, data que vence o prazo de várias concessões de TV e rádio no país, se faça um debate aberto sobre a mídia, seu papel e a necessidade de maior participação social na definição de concessões”, afirmou Rodrigo.
O líder socialista também disse estar empenhado nesta segunda em convidar as organizações que defendem a democratização dos meios de comunicação para o ato.
“Nossa manifestação é aberta a todos e todas que repudiam esta matéria antidemocrática da Veja e desejam que no país ocorra mais pluralidade de opiniões em todos os grandes veículos de comunicação”, agrega Rodrigo.
Manipulação
Para o jornalista e escritor Celso Lungaretti a matéria da revista passou longe de ser jornalística.
“Não houve, em momento algum, a intenção de se fazer justiça ao homem e dimensionar o mito. A avaliação negativa precedeu e orientou a garimpagem dos elementos comprobatórios. Tratou-se apenas de coletar, em todo o planeta, quaisquer informações, boatos, deturpações, afirmações invejosas, difamações, calúnias e frases soltas que pudessem ser utilizadas na montagem de uma furibunda catalinária contra o personagem histórico Ernesto Guevara, com o propósito assumido de se demonstrar que o mito Che Guevara seria uma farsa”, disse Lungaretti em seu blog nesta segunda.
O escritor também comparou a posição histórica da revista à adotada pelo fascismo e pela ditadura.
“Típica também – e não por acaso – da retórica das viúvas da ditadura são as afirmações da Veja. [Para a revista] a onda revolucionária que se avolumou na América Latina durante as décadas de 1960 e 1970 teria como causa ‘as concepções de revolução pela revolução’ de Guevara e não a miséria, a degradação e o despotismo a que eram submetidos seus povos. E a responsabilidade pelos banhos de sangue com que as várias ditaduras sufocaram anseios de liberdade e justiça social caberia às vítimas, não aos carrascos”, escreveu o professor.
“É o que a propaganda enganosa dos sites fascistas martela dia e noite, tentando desmentir o veredicto definitivo da História sobre os Médicis e Pinochets que protagonizaram ‘alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas’”, concluíu.
Para Celso Lungaretti a matéria-de-capa não passa de “mais um exercício do jus esperneandi a que se entregam os que têm esqueletos no armário e os que anseiam por uma recaída totalitária, com os eventos desastrosos e os banhos de sangue correspondentes”.
Mito e realidade
Entre outros problemas apontados pela UJS na matéria está o fato de o texto tentar aliar a figura de Che Guevara com a de um jovem sanguinário.
“A matéria tenta emplacar a idéia de que Che era sedento por sangue, que só pensava em matar e menosprezava o ideal socialista em nome da morte. Mas quem conhece a história sabe que Guevara era antes de tudo um humanista, disposto a dar a própria vida em nome de seus ideais e por um mundo mais justo para todos. Ele sempre lutou pela vida e pelo socialismo”, contesta Rodrigo.
Já para Gustavo Petta, ex-presidente da UNE, o alvo da publicação é desacreditar Che.
“Esse é o alvo da publicação. Desacreditar Che é mais um trabalho ideológico de por fim a luta pelo socialismo. Mas, enganam-se Roberto Civita e sua laia. Não é qualquer matéria dessa natureza que descolará Ernesto Che Guevara dos mais altos ideais de justiça e igualdade, e mesmo se Che esmorecer, a luta pelo socialismo, do qual ele é um símbolo, persistirá. Enquanto houver a brutal desigualdade entre os homens, haverá os que lutam para mudar tal situação”, concluiu Petta nesta segunda em seu blog.
Ato em defesa de Che e contra a revista Veja
Serão queimadas dezenas de revistas em protestoData : terça-feira (2/10)Local: Concentração às 11h na sede nacional da UJS (Rua 13 de maio, 1016 – Bela Vista)Ato às 13h em frente a Editora Abril (Av. das Nações Unidas, 7221 – Pinheiros / próximo a estação Pinheiros de trem e do Shopping Eldorado).
Da redação, com agências
